GENEALOGIA - JOSÉ LUIZ NOGUEIRA 
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FERNANDES
FERNANDES

Sobrenome de formação patronímica: o filho de Fernando. Antigo Fernandici, Fernandiz, Fernandez - documentado nos anos de 915 e 1078 (Antenor Nascentes, II, 111).

Patronímicos são apelidos que consistem numa derivação do prenome paterno. No latim ibérico, constituiu-se esse tipo de apelido com o sufixo “-ícus” no genitivo, isto é, “-íci”. É quase certo que se trata de um sufixo ibérico “-ko”, indicativo de descendência, com as desinências latinas da 2ª declinação. Assim, por evolução fonética temos no português medieval -ez (escrito -es, porque é átono) -iz, -az (escrito -as, quando átono).

Por exemplo: Lopes (que vem de Lopo), Fernandes (filho de Fernando) e Perez ou Peres ou Pires (filho de Pero, variante arcaica de Pedro).

Brasil:

Assim como os demais patronímicos antigos - Alvares, Eanes, Henriques, etc. - este sobrenome espalhou-se, desde os primeiros anos de povoamento do Brasil, por todo o seu vasto território. Há diversas famílias com este sobrenome, espalhadas no Brasil, de origem portuguesa, espanhola, argentina, uruguaia, paraguaia, etc.

No Rio de Janeiro, entre as quase 260 famílias com este apelido, nos séculos XVI e XVII, registram-se as de Antônio Fernandes, carpinteiro [c.1570 - 1643,RJ]; Baltazar Fernandes, tabelião (1567) das Cidade [? -1569,RJ]; Batista Fernandes, porteiro (1566) da Cidade; Diogo Fernandes [1558 - ?]; Francisco Fernandes, alcaide e carcereiro (1566) da Cidade; Gaspar Fernandes [c.1559 - a.1620]; Lourenço Fernandes, porteiro (1569) da Câmara; Marcos Fernandes [c.1555- ?]; Mateus Fernandes [c.1557 - a.1621]; Salvador Fernandes [c.1557 - a.1618]. Quase todos deixaram descendência (Rheingantz, II, 21-69).

Ainda no Rio de Janeiro, registra-se a família Fernandes, do Município de Vassouras, constituída de abastados proprietários de fazendas de café. Teve princípio no Tenente-coronel José Antônio Fernandes [c.1799, Portugal -], filho de Paulo de Carvalho, natural do Rio dos Moinhos, bispado de Viseu, e de Maria Tereza de Carvalho.

Passou ao Brasil, em 1808, por ocasião da vinda da Família Real Portuguesa. Foi servir na Província Ciplastina, onde se estabeleceu por muito tempo, até se transferir, inicialmente, para São Joao del Rei, em Minas Gerais. Deixou numerosa descendência do seu cas., a 25.05.1821, no Rio de Janeiro, com Maria José Bernardina da Conceição, filha de José Bernardino de Araújo e de Joaquina Rita de Araújo, natural de Lisboa. Entre os descendentes do casal, registram-se:

I - o filho, Dr. Antônio José Fernandes [13.12.1823, Montevidéu, Uruguai - 10.10.1896], que veio estudar no Rio de Janeiro, onde diplomou-se, antes de 1852, em medicina. Fixou residência em Vassouras, antes de 1860, onde fundou o tradicional Colégio Fernandes. Foi casado três vezes. Do seu segundo casamento, descende a tradicional família Avelar Fernandes (v.s.), de Vassouras. Não houve geração do seu primeiro casamento, com «Mariquinha».

Os demais Fernandes, descendem do seu terceiro casamento, c.1866, com Isabel Peregrina Werneck Pinheiro [26.10.1836 - 26.01.1922], filha dos viscondes de Ipiabas, da importante família Pinheiro de Souza (v.s.), do Estado do Rio de Janeiro. Desta terceira união, nasceu, entre outros, o grande estadista e diplomata Raul Fernandes [24.10.1877, fazenda São João, Valença, RJ - 1969, Rio, RJ], advogado,  bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo [1898]. Aluno laureado, galardoado com o prêmio de viagem à Europa. Dedicou-se a advocadia judiciária, interrompida por mandatos políticos e comissões diplomáticas, como ministro de Estado e embaixador. Promotor em Vassouras [1898-1907]. Deputado à Assembléia Legislativa Provincial pelo Rio de Janeiro [1903-1909]. Deputado Federal pelo Estado do Rio de Janeiro [1909-1923]. Delegado Plenopotenciário do Brasil à Conferência da Paz, sendo um dos signatários brasileiros do Tratado de Versailles [1919].  Presidente eleito do Estado do Rio de Janeiro, deposto em 1923. Consultor Geral da República [1923]. Delegado do Brasil nas Assembléias da Liga das Nações [1920, 1921, 1924 e 1925]. Designado pelo Conselho da Sociedade das Nações como um dos dez Membros do Conselho de Jurisconsultos encarregados de elaborar o Estatudo da Côrte Permanente de Justiça Internacional. Embaixador do Brasil em Bruxelas [1926]. Chefe da Delegação do Brasil à VI Conferência Internacional Americana reunida em Havana [1928]. Membro da Assembléia Constituinte [1933]. Relator Geral do projeto da Constituição [1934 e 1935-1937]. Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil [1945-1948]. Delegado do Brasil à Conferência de Paz [1946]. Ministro das Relações Exteriores [13.12.1946 a 01.02.1951 e 27.08.1954 a 12.11.1955]. Chefe da Delagação do Brasil à Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz e da Segurança do Continente [1947]. Chefe da Delagação do Brasil à III Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas em Paris [1948]. Doutor Honoris causa pela Faculdade de Direito de São Paulo [1952] e da Universidade de Montevidéu. Membro da Academia de Legislação e Jurisprudência de Madri. Membro do Instituto para a Unificação do Direito Privado à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional. Membro do Instituto dos Advogados do Brasil. Membro da Academia Espanhola de Jurisprudência e de Legislação.

Em São Paulo, entre as mais antigas, registram-se: Pascoal Fernandes, genovês [Enguaguaçu, 1532]; Antônio Fernandes [Santos, 1545]; Sebastião Fernandes, oleiro [Santos, c.1552]; Manuel Fernandes [S. Vicente, 1563]; André Fernandes, almotacel [Stº André, 1556]; Gonçalo Fernandes, carpinteiro [Stº André, 1556]; João Fernandes [Stº André, 1555]; João Fernandes, tabelião [S. Paulo, 1564]; Pero Fernandes, porteiro [S. Paulo, 1562]; Manuel Fernandes, escrivão [S. Paulo, 1564]; Marcos Fernandes [S. Paulo, 1576]; Bartolomeu Fernandes, ferreiro [S. Paulo, 1578]; Braz Fernandes, sapateiro [S. Paulo, 1578]; Gil Fernandes [S. Paulo, 1581]; Gaspar Fernandes, escrivão [S. Paulo, 1583]; Diogo Fernandes, juiz [S. Paulo, 1587]; João Fernandes [S. Paulo, 1590], etc. (AM, Piratininga, 70; SL, I, 6, 47, 65; IV, 454; VIII, 442).

A mais numerosa delas, de origem portuguesa, que mereceu um título genealógico na Nobiliarquia Paulistana, a de Silva Leme, teve princípio em Manuel Fernandes Ramos, natural de Moura, Portugal. Passou à capitania de São Vicente, na segunda metade do século XVI. Exerceu os cargos do governo de S. Paulo até o fim do século XVI. Deixou numerosa descendência do seu cas., na Capitania de São Vicente, com Suzana Dias [- 1634], filha de Lopo Dias e de Beatriz Dias, por via desta, neta de Martim Afonso Tibiriçá. Entre os descendentes do casal, registram-se:

I - o filho, Capitão André Fernandes, que realizou entradas no sertão para descobrir metais, acompanhado de seus índios. Proprietário de grande extensão de terras, compreendendo as terras de Itu, S. Roque e Sorocaba, porém seu domínio continuou em Parnaíba, sendo que as de Itu ficaram na posse do Capitão Domingos Fernandes e seus descendentes, e as de Sorocaba, na do capitão Baltazar Fernandes. Faleceu com testamento em 1641, aos 63 anos de idade [SL, VII, 225];

II - o filho, Capitão Baltazar Fernandes, o fundador de Sorocaba, patriarca da família Fernandes de Abreu (v.s.), de São Paulo;

III - o filho, Capitão Domingos Fernandes [SP - 1652, SP], o fundador de uma capela no Uru Guassu - depois vila de Itu (SP);

IV - a filha, Custódia Dias, matriarca da família Betting (v.s.), de São Paulo;

V - a neta, Maria de Torales, matriarca da família Ponce de Leon (v.s.), de São Paulo; e

VI - a neta, Potencia de Abreu, matriarca da família Bezarano, de São Paulo. No Acre, cabe registrar Francisco Fernandes, listado entre os primeiros povoadores nas margens do rio Acre, por volta de 1878 (Castelo Branco, Acreania, 183).

 Linha Indígena: Sobrenome também adotado por famílias de origem indígena.

No Rio de Janeiro, entre outras, registra-se a de Pedro Fernandes, que deixou geração, em 1617, com Úrsula, «índia da terra» (Rheingantz, II, 46).

No Rio Grande do Sul, entre outras, encontra-se a família de Francisco Fernandes, «índio tape», casado em 1771, em Estreito, RS, com Ana Juliana, também índia tapes.

Linha Africana: Sobrenome também adotado por famílias de origem africana. No Rio de Janeiro, entre outras, registra-se a de Domingos Fernandes, «pardo forro», filho de Jerônimo e Maria Fernandes, que deixou geração, em 1693, com Ascença Soares, «parda forra» (Rheingantz, II, 37).

No Rio Grande do Sul, entre outras, há a família de Francisco Fernandes, «crioulo forro», casado a 31.05.1800, no Rio Grande, RS, com Narcisa Maria da Conceição, também crioula forra.

 Linha Natural: o já citado Capitão André Fernandes [c.1578 - 1641], deixou numerosa descendência natural, por parte de seis filhos, que foram reconhecidos. Em Minas Gerais, por exemplo, João Rodrigues Fernandes, nat. de Itajubá (MG), «filho natural» de Genoveva Rodrigues, foi cas. em 1837, Itajubá (MG), com Maria Joaquina de Jesus, nat. de Itajubá, MG (Monsenhor Lefort - Itajubá).

 Linha de Degredo: Em São Paulo, entre as mais antigas, registra-se a de Cosme Fernandes, natural de Portugal, povoador do litoral, deixado em degredo na ilha Cardoso, pela expedição de André Gonçalves [1502]. Tinha grande prestígio, tanto entre os índios como entre os demais povoadores. Ainda vivia em 1534 (AM, Piratininga, 69).

Cristãos Novos:

 Sobrenome também adotado por judeus, desde o batismo forçadoà religião Cristã, a partir de 1497. Em Portugal, por exemplo, por ocasião da conversão dos judeus em cristãos novos, registrou-se uma Leonor Fernandes, que anteriormente chamava-se Luna Abravanel. Em Pernambuco, entre outros, registram-se: Arão Fernandes, documentado em 1646; David Fernandes, em 1635; Isaac Fernandes, 1646; Moisés Fernandes, 1646 e a família de Diogo Fernandes, nat. do Porto, «cristão novo», que já se encontrava em Pernambuco em 1556. Trabalhou como feitor no engenho de Bento Dias Santiago, parente de sua esposa, Branca Dias, com quem deixou onze filhos, entre eles, Beatriz Fernandes, a alcovitada, que saiu no auto-de-fé de 1599.

Na Bahia, entre outras, registra-se a família de Duarte Fernandes [1593, Porto - ?], «cristão novo», morador em Salvador, filho de Luís Garcês e de Ana Pereira (Wolff, Dic., I, 67).

 

Heráldica: existem vários Brasões para diversas pessoas que tinham este patronímico, sem, no entanto, haver qualquer parentesco entre elas.

I - Fernandes, de Astúrias: em campo azul, com cinco flores-de-lis de ouro postas em santor; bordadura sanguinha carregada de oito aspas de ouro. Século XVI:

II - Diogo Fernandes Corrêa - Carta de Brasão de 15.06.1509: um escudo esquartelado: o primeiro quartel, em campo de ouro, com uma águia de duas cabeças de negro, armada de vermelho, carregada de um escudete de prata no peito; o segundo quartel, em campo vermelho, com 3 escudetes de prata, um escudete com uma cruz de vermelho; o terceiro quartel, em campo vermelho, com um castelo de prata; e o quarto quartel, em campo vermelho, com 3 vieiras de prata.

Timbre: uma águia de uma só cabeça, de negro, com um escudete do II quartel no bico, pendente de um torçal de vermelho.

Século XVIII: III - Jerônimo Martins Fernandes - Carta de Brasão de 21.10.1789 - outras armas totalmente diferente.

Século XIX: IV - José Gabriel Fernandes - Carta de Brasão de 04.01.1871: um escudo esquartelado: o primeiro quartel, em campo de ouro, com uma águia de duas cabeças de negro, armada de vermelho, carregada de um crescente de prata no peito; o segundo quartel, em campo vermelho, uma cruzeta de ouro, concentrada por 3 crescentes de prata, voltados para cima, em roquete; o terceiro quartel, em campo vermelho, com um castelo de prata, cosido em um contra chefe de verde e pardo; e o quarto quartel, em campo azul, com 3 vieiras de prata.

Timbre: uma águia negra, andante, armada de vermelho (Sanches Baena, II, 66).

Outras: V - do Conde da Feitosa: iguais a de Diogo Fernandes Corrêa - acima.

Diferença: uma brica de azul, com um besante de prata. Timbre: uma águia de negro, com um escudete do II quartel no bico, pendente de um torçal de vermelho;

VI - José Luiz Fernandes de Castro: um escudo esquartelado: o primeiro quartel, em campo de prata, uma águia de negro, armada de azul e com um crescente de prata no peito; o segundo quartel, em campo de azul, 3 flores-de-lis de ouro, em roquete; o terceiro quartel, em campo de azul, 5 vieiras de prata; e o quarto quartel, em campo de vermelho, um castelo de prata aberto de negro (Armando de Mattos, Brasonário, I, 164-5); e

VII - os Fernandes da Cunha, de Santo André de Parada: um escudo em campo de ouro, com cinco flores-delis de vermelho, postas em sautor (Anuário Genealógico Brasileiro, IX, 289).

 

Brasil Heráldico: de passagem pelo Brasil, registra-se João Manuel Fernandes Feitosa, fidalgo cavaleiro da Casa Real. Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Negociante de grosso trato, residente, em 1870, na cidade do Rio de Janeiro.

Brasão de Armas, datado de 19.03.1870. Registrado no Cartório da Nobreza, Livro IX, fl. 127: um escudo com as armas da família Fernandes. Filho de João Fernandes, e neto de Francisco Fernandes (Sanches de Baena, Archivo Heráldico, I, 305).

Antiga e importante família estabelecida em São Paulo, procedente do Capitão Baltazar Fernandes, o fundador de Sorocaba.

Filho de Manuel Fernandes Ramos e de Suzana Dias, patriarcas da antiga e numerosa família Fernandes (v.s.), de São Paulo. Em 1645, saindo de Parnaíba com alguns de seus genros, fundou nesse lugar a capela de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba, sendo a povoação elevada a categoria de vila, em 1661. Essa capela foi doada por Baltazar Fernandes, por escritura pública lavrada em 1660, em Parnaíba [SP], aos frades de São Bento, juntamente com uma parte de terras e com a terça do doador, sob a condição de rezarem os frades uma missa cada mês. Os Fernandes de Abreu, descendem do seu segundo casamento, com Isabel de Proença, que fez seu testamento em 1648, em Parnaíba [SP], e foi inventariada em 1654. Filha de João de Abreu e de Isabel de Proença, da importante família Proença (v.s.), de São Paulo (Silva Leme, VII, 226).

Foram pais de Potencia de Abreu, matriarca da família Bezarano, de São Paulo.

No Rio de Janeiro, registra-se Francisco Fernandes de Abreu, natural de N.S. da Candelária (Rio de Janeiro), habilitação de genere - 1732 [Arquivo Nacional da Torre do Tombo - C.E.M.182-P.2].

 

FERNÁNDEZ

Sobrenome de proveniência espanhola, de formação patronímica - o filho de Fernando, de Fernán [ver Fernandes]. Os historiadores apontam um dos seus mais antigos solares, em Covadonga, fundado pelo Cavaleiro Hernán Fernández. Há, na atualidade, uma família de origem espanhola, vinda da Galícia, Espanha, estabelecida no Rio de Janeiro. Sobrenome de uma família estabelecida neste século XX, no Rio Grande do Sul.

                                     

 

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