Sobrenome de formação patronímica - o filho de Soeiro (v.s.).
Da baixa latinidade Suarici [documentado no ano de 1073], Suarizi [no ano de 1097], Suariz [no ano de 946], Suarez e Soares [em obras de 1554].
Soaires, com um i epentético como Saigres, quaise (século XV) [Antenor Nascentes, II, 285].
Patronímicos são apelidos que consistem numa derivação do prenome paterno.
No latim ibérico constituiu-se esse tipo de apelido com o sufixo “-ícus” no genitivo, isto é, “-íci”. É quase certo que se trata de um sufixo ibérico “-ko”, indicativo de descendência, com as desinências latinas da 2ª declinação. Assim, por evolução fonética temos no português medieval -ez (escrito -es, porque átono) -iz, -az (escrito -as, quando átono).
Por exemplo: Lopes (que vem de Lopo), Fernandes (filho de Fernando) e Perez ou Peres ou Pires (filho de Pero, variante arcaica de Pedro). Assim como os demais patronímicos antigos - Eanes, Fernandes, Henriques, Soares, etc. - este sobrenome espalhou-se, desde os primeiros anos de povoamento do Brasil, por todo o seu vasto território.
Em São Paulo, entre as mais antigas, registra-se a família de João Soares, residente em São Paulo, em 1579, que deixou geração de seu cas., em S. Paulo, com Messia Rodrigues (AM, Piratininga, 176).
Família de origem portuguesa estabelecida em Pernambuco, para onde passaram dois irmãos, que foram os patriarcas das famílias Soares de Albuquerque (v.s.) e Soares da Cunha.
Família originária das ilhas portuguesas estabelecida no Rio Grande do Sul, para onde passou Manuel Inácio Soares [c.1750, Freg.
De São Salvador da Ilha do Faial -], filho do licenciado André Machado Soares, da Ilha terceira, e de Teresa de Jesus, da Ilha de São Jorge. Deixou geração, por volta de 1775, com Antônia Maria de Jesus [Rio Grande - 12.10.1809, Porto Alegre, RS], filha de Antônio Vieira Cardoso e de Maria Inácia de Jesus - patriarcas de uma das famílias Vieira (v.s.), do Rio Grande do Sul.
Ainda no Rio Grande do Sul, registram-se:
I - vinda das ilhas portuguesas, em 1838, a família de João Antônio Soares, natural da Ilha do Cabo Verde, Portugal, que assinou termo de declaração, a 04.11.1858, onde informa ter 47 anos de idade e ser casado com uma brasileira e Ter com ela seis filhos: Manuel, Tomás, Amaro, Júlia, Manuela e João (Spalding, naturalizações, 110);
II - a de José Joaquim Soares, que deixou um filho no Rio de Janeiro, do seu cas., por volta de 1792, com Maria Angélica de Faria, e que tornou-se o patriarca de uma numerosa família Soares, no Rio Grande do Sul;
III - Joaquim Rasgado [c.1795, Rio, RJ - a.1897, Rio Grande, RS], de quem descendem os Rasgados e os Soares, por seu cas. com Constança Maria de Mesquita [25.04.1798, Rio Grande, RS - 24.02, 1897, Pelotas, RJ], filha de Manuel Luiz de Mesquita e de Bernarda Maria de Santana. Seus descendentes foram aparentados, entre outras, com as famílias Borges da Costa, Jansen do Paço, Dias de Castro, Sodré, Casado, Alterach, Rosa, Viriato de Medeiros, Rodrigues Pereira, Schlegell, Fernandes Braga, Lang e Miranda Ribeiro.
Para a Paraíba, ver família Eugênio Soares.
Importante família de origem portuguesa estabelecida no Pará, para onde passou Antônio José Soares, nascido a 20 de Outubro de 1842, em Barreiros, no Minho, Portugal. Deixou numerosa descendência do seu cas. com Luiza Augusta Fernandes, nascida a 26 de maio de 1848 e falecida em São Luiz do Maranhão. Entre os descendentes do casal, registram-se:
I - o filho, Domingos Antônio Soares, nascido a 6 de Maio de 1872, residente em Belém, Pará. Deixou geração do seu cas. com Sophia Morris, nascida a 9 de novembro de 1870. Filha de James Morris e de Mary Ellen Morris;
II - a filha, Leonor Soares, nascida a 8 de Maio de 1886, em Belém, Pará. Casada a 18 de Janeiro de 1908, em Belém, Pará, com seu parente Adriano José Soares, nascido a 30 de Setembro de 1880, em Navarra (Minho). Filho de Alexandre José Soares, nascido a 7 de Fevereiro de 1835, em Barreiros, Minho, Portugal, e de Maria Rosa Vieira, nascida a 16 de Julho de 1836, em Navarra (Minho). Com geração;
III - o neto, Alberto Domingos Soares, nascido na Inglaterra, a 26 de setembro de 1896. A 22 de maio de 1914 seus pais registraram o seu nascimento em Belém, no 1º Cartório do Registro Civil, Livro 120, fls.39. Auxiliar do Comércio em Belém, Pará. Em 1925, residia à Rua Quintino Bocayuva, n.º 116, Belém. Deixou geração do seu casamento, em Belém, a 24 de Setembro de 1925, com Maria José Diniz, nascida a 5 de Outubro de 1897, no Pará - da importante família Picanço Diniz, ramo da antiga família Picanço (v.s.), do Pará;
IV - o neto, Aloisio Alexandre Soares, nascido a 28 de Outubro de 1915, em Belém, Pará. Teatrólogo e cronista paraense. Membro da Academia Paraense de Letras. Linha Indígena: Consideramos nesta linha, a família de Manuel Pereira da Silva Soares, um sólido lusitano no Rio Madeira, que pertenceu à Guarda Nacional, e que se estabeleceu no Pará, deixando geração da sua união com uma índia da tribo dos Tapuiussu, chamada Raimunda Bonita. Foram pais de Silvino Júlio Soares, casado com Elvira Picanço Diniz, de antiga e tradicional família do Pará, estabelecida em tempos passados no Macapá - Picanço (v.s.); e foram avós de Evandro Diniz Soares, nascido a 25 de Fevereiro de 1930, na Fazenda Santa Cruz, Lagoa Grande da Franca, no Município de Santarém. Advogado. Funcionário do Banco da Amazônia S/A - BASA. Autor de uma Monografia sobre Joaquim Marques Lisboa, marquês de Tamandaré, com o qual foi agraciado com a Medalha de Ouro da Semana da Marinha em 1953.
Sobrenome de inúmeras famílias estabelecidas no Rio de Janeiro.
Entre outras, registra-se a de Custódio José Soares Albuquerque, Cavaleiro Professo na Ordem de Cristo. Capitão de um dos regimentos de linha da cidade do Rio de Janeiro. Entre os seus descendentes, registram-se:
I - o filho, José Francisco Soares, coronel do regimento de infantaria do terço de S. José do Rio de Janeiro; e
II - o neto, Antonio José Soares, capitão do segundo regimento do arraial de Trejano, comarca de Serro Frio, Minas Gerais. Cavaleiro Professo na Ordem de Cristo. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Teve mercê da Carta de Brasão de Armas - detalhes adiante.
Linha Africana: Sobrenome também adotado por famílias de origem africana.
No Rio de Janeiro, entre outras, registra-se a de Antônia Soares, «parda forra» [da casa do padre Manuel Soares da Rocha], que deixou geração, em 1693, com Domingos Fernandes, «pardo forro» (Rheingantz, I, 83).
Linha de Degredo:
Registra-se o Alvará de D. João IV, datado de 02.06.1645, permitindo a Miguel Soares, preso no aljube de Coimbra, por ter morto, «atrosmente a traisão e aleviosamente», Diogo Lobo, capitão-mor de Abrantes, a ser levado para o Brasil e cumprir a pena de seis (6) anos de degredo a que o condenara o juiz eclesiástico, da mesma cidade de Coimbra, E pelo crime que praticara, visto depois de ter sido mandado enforcar em «estátua» se ter ido ordenar em Castela, «com reverendas falsas», considerava-o o Rei, desnaturado dos seus reinos, onde não deveria voltar, sendo privado das temporalidades que neles tinha».
Registra-se, no Auto-de-fé celebrado no Terreiro do Paço de Lisboa, a 15.12.1658, a condenação de cinco (5) anos de degredo para o Brasil, de André Soares, cristão novo, médico, natural da vila da Fronteira, morador em Lisboa, preso duas vezes «por culpa de relaxia». Registra-se, no Auto-de-fé celebrado no Terreiro do Paço de Lisboa, a 04.04.1666, a condenação de três (3) anos de degredo para o Brasil, de Branca Soares, «cristã-nova», natural de Montalvão e moradora em Lisboa. Esposa de Henrique Lopes, alfaiate; e a condenação de seis (6) anos de degredo para o Brasil, de Maria Soares, «cristã-nova», natural de Lisboa. Esposa de Fernão Guterres, mercador. Registra-se, no Auto-de-fé celebrado no Terreiro do Paço de Lisboa, a 02.03.1668, a condenação de cinco (5) anos de degredo para o Brasil, de Duarte Rodrigues Soares, «cristão-novo», mercador, natural da vila de Trancoso e morador na vila de Celorico.
Cristãos Novos:
Sobrenome também adotado por judeus, desde o batismo forçado à religião Cristã, a partir de 1497. Ver a família Soares Pereira (Wolff, Dic., I, 188).
Família de origem judaico-sefardita, expulsa da Península Ibérica, em fins do século XV, migrada para o Marrocos, norte da África, de onde passou, no século XIX, para a Amazônia [Brasil], estabelecendo-se no Município de Faro, Estado do Pará. A esta família pertence Jacob Soares [- 06.01.1947, Óbidos, PA].
No Município de Belém, Estado do Pará, registra-se Isaac S. Soares [- 08.08.1917, Belém, Pará], que deixou geração do seu cas., antes de 1890, com Luna Benjó [ - 05.02.1943]. Tiveram, pelo menos dois filhos, entre eles Samuel Soares [20.05.1890 - 11.10.1956, PA], que deixou viúva e sobrinhos, quando do seu falecimento (Samuel Benchimol, Eretz Amazônia, 52, 145; Wolff, Sepulturas, III, 63).
Heráldica:
I - um escudo em campo azul, com uma ponte de 3 arcos, ameiada, de prata, sobre um rio do mesmo aguado do campo, sustendo duas torres também de prata, uma a cada flanco, e, ao centro um leão de ouro com uma espada de prata guarnecida de ouro na mão direita, cada torre rematada por uma águia de negro, coroada do mesmo, suas cabeças afrontadas. Timbre: o leão do escudo;
II - Outros: um escudo em campo vermelho, com uma torre de prata. Timbre: a torre do escudo;
III - Soares de Toledo - detalhes adiante (Armando de Mattos - Brasonário de Portugal, II, 131).
Século XVI:
I - Diogo Soares - dos Soares de Toledo, do reino de Castela, morador na cidade de Goa.
Brasão de Armas, datado de 23.02.1556. Registrado no Livro V, de Privilégios, fl. 262v: um escudo em campo vermelho, com 2 albarradas de ouro de duas asas cada uma, cheias de cebolas cecem [açucenas] de sua cor, entre uma banda que retém pelos cabos duas cabeças de serpes, também de ouro, armadas de azul.
Elmo: de prata aberto, guarnecido de ouro. Paquife: ouro, vermelho e prata. Timbre: uma das albarradas do escudo. Neto de Gomes Soares de Toledo (Sanches de Baena, Archivo Heráldico, I, 146).
Brasil Heráldico: I - Antonio José Soares, citado acima, ramo do Rio de Janeiro. Carta de Brasão de Armas de 10.01.1804. Registrada no Cartório da Nobreza, Livro VII, fl. 59 - um escudo com as armas da família Soares.