GENEALOGIA - JOSÉ LUIZ NOGUEIRA 
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GENEALOGIA DA FAMÍLIA PIEDADE
GENEALOGIA DA FAMÍLIA PIEDADE

Capitão Francisco Cândido Sagalerva

 

 Colaboração de Luiz Rafael Néry Piedade

 

Nascido por volta de 1788, na cidade do Porto, Freguesia de São Nicolau, Portugal [1].

Identificador Universal - FE2A902444A8D811AF0300D009AD77DB3B0C

 

 

Francisco Cândido Sagalerva - Filho dos portugueses, Francisco Sagalerva e Clara Margarida Rosa.

Celso Machado de Araújo Filho relata em seu trabalho (Elaborado para registro da Genealogia da Família Cerqueira César) que o Capitão Francisco Cândido Sagalerva veio para o Brasil com a Comitiva de D. João, época em que a rainha de Portugal era D. Maria I.

“Veio o Cap. Sagalerva para o Brasil, com a comitiva de D. João, ao tempo em que reinava D. Maria I em Portugal. Esta comitiva foi atingida por uma tempestade que dividiu a frota, dirigindo-se parte para a cidade de Salvador, onde D. João chegou em 23 de janeiro de 1808, parte para o Rio de Janeiro, onde chegou D. João somente a 7 de março do mesmo ano, desembarcando no dia seguinte, quando se iniciaram suntuosas festas para a chegada do Príncipe Regente. (D. Maria I, reinou de 1777 a 1816, sendo coroado D. João VI Rei de Portugal e do Brasil, em 6 de fevereiro de 1818, no Rio de Janeiro, tendo então deixado D. Pedro I, seu filho, como Principe Regente) ( A. Souto Maior, Historia do Brasil, São Paulo, Editora S.A., São Paulo, 1972)”

 

Naquele mesmo trabalho Celso Machado de Araújo Filho registra que João Machado de Araújo faz referência ao Capitão Francisco Cândido Sagalerva como “tronco de notável família Paulista”

 

Casamento em 31 de agosto de 1813 (idade 25) com Manoella Angélica de Cerqueira Leme - filha de tradicional família paulista era tia do ex-presidente Interino do Estado de São Paulo, Sr. José Alves de Cerqueira Cesar, aliado aos Campos Sales e Mesquitas[6]. Casamento encontrado no microfilme 1251706, no Livro de Casamentos Assentados em Conceição dos Guarulhos de 1813 – Livro nº 04 – páginas 43 e 44, do Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo. O casal teve 10 (dez) filhos:

 

1 – Matheus Cândido Sagalerva (Guarulhos, 11 de setembro de 1814);

2 – Maria Cândida de Cerqueira Leme (Guarulhos, 11 de agosto de 1816 – São Paulo, 1902);

3 – Capitão Jesuíno de Cerqueira César (São Paulo, 25 de agosto de 1818 – Salto de Pirapora, 19 de janeiro de 1895);

4 – Francisco Sagalerva (Guarulhos, 01 de julho de 1819);

5 – Carolina Sagalerva (São Paulo, 08 de março de 1821);

6 – Brandina Sagalerva (São Paulo, 26 de janeiro de 1823);

7 – Coronel Ernesto Eugênio da Piedade[7] (Araçoiaba da Serra, 13 de novembro de 1830 – Sarapuí, 21 de janeiro de 1911);

8 – Cândida Angélica Cerqueira Leme (Tatuí, 13 de janeiro de 1833 – Sarapuí, 05 de dezembro de 1907);

9 – Claudino Pedro Sagalerva (Araçoiaba da Serra, 29 de junho de 1835) e;

10 – Flora Margarida Sagalerva (Araçoiaba da Serra, 19 de fevereiro de 1842 – Itapetininga, 03 de abril de 1915).

O Capitão Francisco Cândido Sagalerva foi um militar e participou dos movimentos realizados em Itu para Independência do Brasil, conforme registro localizado nos Documentos Relativos aos Pródomos da Independência em Itu, registro da Carta de Representação ao Príncipe Regente pelo Governo Provisório de São Paulo, em 24 de dezembro de 1821[8].

Encontrado registro também do Capitão à fl. 131, dos Apontamentos Históricos da Provincia de São Paulo, obra de Manuel Eufrásio de Azevedo Marques, da Biblioteca Histórica Paulista, edição do IV Centenário da Cidade de São Paulo, 1952, quando relata do processo instaurado por aviso régio de 7 de setembro de 1822 a propósito da chamada “Bernarda de Francisco Inácio” (Francisco Inácio de Souza Queiroz), havida em 23 de maio de 1822. Celso Machado de Araújo Filho no já citado trabalho, aduz que:

 

“Antes de Comentarmos com Azevedo Marques tal processo, veremos com brevidade, a sequencia de fatos desencadeantes da Bernarda:

De 28 para 29 de junho de 1821 houve perturbação da ordem pública em santos. Prontamente debelada, seus implicados foram presos, respondendo a processo. De todos, foi condenado a morte pela forca, apenas Francisco José das Chagas, o “Chaguinha”, sendo perdoados os demais. Sua execução seria no dia 12 de maio de 1822, em São Paulo, às 14 horas. Por esta vez e mais outra, às 16 horas por duas vezes portanto as cordas usadas no enforcamento rebentaram, não ocorrendo a morte do condenado. Por duas vezes foi negado o perdão por Martim Francisco, irmão de José Bonifácio de Andrade e Silva. Não tendo sido comuta a pena, procedeu-se a um terceiro enforcamento, segundo alguns, com êxito, havendo entretanto quem afirme, que na terceira tentativa, encoberto pela noite, o Chaguinha houvesse sido substituído por um boneco, fugindo o verdadeiro Chaguinha para Porto Feliz, e de lá, num monção, para Cuiabá. É venerado na capela de Santa Cruz dos Enforcados.

 

Tendo sido culpado Martim Francisco pela morte do Chaguinha, a 23 de maio de 1822, com a exaltação popular, o coronel Francisco Inácio de Souza Queiroz, Comandante das Milícias de São Paulo, filho de Portugueses e muito ligado as coisas de Portugal, chefiou um motim de soldados das milícias e do povo, para depor dois membros do Governo Provisório: O Secretário da Fazenda: Martim Francisco e, o, Deputado pelo Comércio: Manuel Rodrigues Jordão (que manipulava o comércio da carne em São Paulo). Conseguiu exilar para o Rio de janeiro o primeiro e para Santos o segundo.

 

O ex Governador e Presidente do Governo, João Carlos Augusto de Oyenhausen, acedeu à tudo. Segundo o historiador Aluísio de Almeida, a Bernarda de Francisco Inácio “foi reação local contra os Andradas e seus partidários. Foi contra a Independência. Outros Historiadores, são da opinião de que a Bernarda não passou de uma revolta popular contra alguns setores do comércio, particularmente o da carne, cujo controle encontrava-se nas mãos de Manuel Rodrigues Jordão, Deputado pelo comércio, que de algum tempo estava marcado pelo povo, enquanto que aos Andradas, teria cabido mais o papel de bode espiatório. (Aluísio de Almeida, do livro “A luta pela independência” Editora Literatura Universal, ELU Ltda., pelo LIONS OESTE, pag. 30 e Rogich Vieira do mesmo livro à página 53 quando estudam a participação de Sorocaba ao tempo da Independência).”

 

Além do registro nos Apontamentos Históricos do Professor Manuel Eufrásio de Azevedo Marques[9] é citado também por Paulo Antonio do Valle em sua obra: A Bernarda de Francisco Ignácio em São Paulo em 23 de maio de 1822[10] e ainda, pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo:

 

“Voltemos, porém, ao nosso estudo; para maior esclarecimento apreciemos ligeiramente o depoimento mais importante que o autor dos Apont, hist. encontrou na celebre devassa, A testemunha cap. Bento José Leito Penteado, exercendo o cargo de juiz de fora pela lei, quanto ao 1." «quesito», diz que José Rodrigues Pereira Netto fora quem mandara tocar o rebate, no dia 23 de maio, obrigando para isso, com uma pistola, ao tenente Igna-cio José de Macedo; que este assim lhe dissera, e o mesmo affirraa-ra o cap, Francisco Cândido Sagalerva ; ao 2.** nada podia affirmar» mas «ouviu dizer» que os agentes do motim foram o ex-presidente” [11] (g.n.)

 

O Capitão Francisco Cândido Sagalerva foi almoxarife da Fazenda de Ferro de São João do Ipanema[12]. De acordo com manuscritos da Arquidiocese de São Paulo esse ofício era anteriormente ocupado pelo Major Gutierrez:

 

“A 7 de novembro de 1860 o Major Gutierrez passa o exercício ao Almoxarife Francisco Cândido Sagalerva, Capitão da Guarda Nacional, e retira-se ao que julgo, para Sorocaba, pois ali o conheci, já velhinho, em 1884.” [13] (g.n.)

 

Os méritos pelos trabalhos realizados pelo Capitão Francisco Cândido Sagalerva junto à Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, foram muito reconhecidos por outros Diretores daquela Fábrica. Tais registros foram mencionados na Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social, da Universidade de São Paulo por Eduardo Tomasevicius Filho:

 

“Neste mesmo mês, a direção da fábrica foi transferida ao encarregado Francisco Antonio Dias. Também nesse fim de ano, o almoxarife Francisco Candido Sagalerva foi dispensado de seu cargo, retirando-se para sua casa após vinte e cinco anos de trabalhos em Ipanema, sendo merecedor de elogios dos diretores anteriores, por ser uma das poucas pessoas de confiança do estabelecimento, razão pela qual permaneceu por tantos anos nessa função.” [14] (g.n)

 

O almoxarife Francisco Cândido Sagalerva queixava-se dos furtos que ocorriam no almoxarifado à noite bem à vista dos soldados encarregados de vigiar o local.”[15](g.n.)

 

Encontrado registro do Capitão Francisco Cândido Sagalerva no Jornal Correio Paulistano de 10 de julho de 1868, ano XV, nº 3627 (Responsável e proprietário Joaquim Roberto de Azevedo Marques), pg. 3:

 

“Edital

De ordem do illm. Sr. Inspector da tesouraria de fazenda da provincia, faço publico para conhecimento dos interessados que existe ordem nesta tesouraria para serem pagos os seguintes credores do Estado, por dividas de exercícios findos, a saber:

Pelo Ministério da Guerra

Francisco Candido Sagalerva. . 400$000

Manoel José Teixeira. . . . 133$333

Laurentino Pereira Barbosa. . . 33$780

João Antonio Julião . . . . 84$600

Manoel dos Santos Carvalho. . 68$940

Secretaria da tesouraria de fazenda de S. Paulo, 8 de Julho de 1868.

Joaquim Candido de Azevedo Marques,

Oficial-maior.”[16](g.n.)

 

Vale citar a menção a seu nome no inventário de sua sogra, Manoela da Piedade Soares realizado no 1º Ofício da Família e das Sucessões da cidade de Guarulhos São Paulo, processo n.º 309, iniciado em 1855 e finalizado em 1856, que foi mencionado na Dissertação de Mestrado de Patrícia Garcia Ernando da Silva:

 

“Já o menor Serafim entraria nos bens que tocaram a Claudina Angelina de Cerqueira Leme, moradora também de Sorocaba, mas, não se pode afirmar que esta morasse junto com seus outros irmãos, mesmo porque ela era casada e não estava sob a tutoria de seu pai Francisco Candido Sagalerva.”[17](g.n.)

 

Localizado registro de uma escrava do Capitão Francisco Cândido Sagalerva, chamada Maria Victoria, que foi batizada‎ como Católica – Araçoiaba‎ em 16 de maio de 1860[18].


Falecimento no dia 07 de junho de 1870, viúvo com 82 (oitenta e dois) anos, faleceu de estupor, conforme registro no Microfilme 1154505, obtido no livro nº 14, página 10, verso, do Livro de Óbitos Paroquial Sorocaba – morador no Bairro de Salto – Sorocaba – São Paulo – Brasil. Falecimento registrado pelo Jornal O Sorocabano, em 12 de junho de 1870[19].

 

O Capitão Francisco Cândido Sagalerva é citado no Registro Geral da Câmara da Cidade de São Paulo, 1922, Volume 16, página 397[20].

 

Finalmente o casal Francisco Cândido Sagalerva e Manoella Angélica de Cerqueira César são citados no livro Cepa Esquecida: Brasileiros Ilustres de Sangue Indígena de autoria de Faris Antonio S. Michaele. Brasil, 1983, pg. 258[21] e na Revista Genealógica Latina. Volume 16-21. Editora A Federação. Digitalizado em 23 de maio de 2008[22].

 

Texto escrito por Luiz Rafael Néry Piedade em 03 de julho de 2013.



[2] GUEDES, Alcir. Gente. Vol. II, 1975.

[4] LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume III, Títulos Prados – Parte 3, páginas 207 e 208. Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013:

http://books.google.com.br/books?id=Jc9aRQAACAAJ&dq=Leme,+Luiz+Gonzaga+da+Silva.+Genealogia+Paulistana&hl=pt-BR&ei=MS1JTo_yLJS30AGY8JzfBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CD4Q6AEwAw

[5] Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013: http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=1014491

[6]Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013: http://holtzgen.com/individual.php?pid=I659&ged=bernadete.ged

[8] Cartas e mais peças officiaes: dirigidas a Sua Magestade o Senhor D. João VI pelo Principe Real o Senhor D. Pedro de Alcantara, e junctamente os officios e documentos que o General Commandante da tropa expedicionaria existente na Provincia do Rio de Janeiro tinha dirigido ao Governo. Lisboa, Imprensa Oficial, 1822. Página 42. Dados extraídos a página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013:

http://books.google.com.br/books?id=MbAtAAAAYAAJ&pg=PA42&dq=Francisco+C%C3%A2ndido+Sagalerva&hl=pt-BR&sa=X&ei=uBq2UeuAN7a34AOm1YD4BQ&ved=0CDIQ6AEwAA#v=onepage&q=Francisco%20C%C3%A2ndido%20Sagalerva&f=false

[9] MARQUES, Manuel Eufrásio de Azevedo. Apontamentos Históricos da Provincia de São Paulo. Edição do IV Centenário da cidade de São Paulo, 1952, pg. 129.

[10] VALLE, Paulo Antonio do. A Bernarda de Francisco Ignácio em São Paulo em 23 de maio de 1822. Página 66. Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013:

http://books.google.com.br/books?ei=AB22UceON9ey4AOU1IGoAQ&hl=pt-BR&id=_ZJQAQAAIAAJ&dq=inauthor%3A%22Paulo+Antonio+do+Valle%22&q=Sagalerva

[11] Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo. Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013:

http://www.archive.org/stream/revistadoinstit07paulgoog/revistadoinstit07paulgoog_djvu.txt

[12] Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013:

http://www.holtzgen.com/individual.php?pid=I660&ged=bernadete2012.ged&tab=0

[13]  Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de São Paulo – Secretaria da Educação – Volume 09, página 77.

[14] MOMASEVICIUS, Eduardo Filho. Dissertação: Entre a Memória Coletiva e a História de “Cola e Tesoura”: As Intrigas e os Malogros nos Relatos sobre a Fábrica de Ferro de São João de Ipanema. Universidade de São Paulo, 2012, pg. 105.

[15] MOMASEVICIUS, Eduardo Filho. Dissertação: Entre a Memória Coletiva e a História de “Cola e Tesoura”: As Intrigas e os Malogros nos Relatos sobre a Fábrica de Ferro de São João de Ipanema. Universidade de São Paulo, 2012, pg. 223.

[16] Jornal Correio Paulistano de 10 de julho de 1868, ano XV, nº 3627 (Responsável e proprietário Joaquim Roberto de Azevedo Marques), pg. 3. Página eletrônica acessada em 03 de julho de 2013:

http://memoria.bn.br/DocReader/hotpage/hotpageBN.aspx?bib=090972_02&pagfis=4748&pesq=francisco+sagalerva&url=http://memoria.bn.br/docreader

[17] SILVA, Patrícia Garcia Ernando da. Últimos desejos e promessas de liberdade: os processos de alforrias em São Paulo (1850 – 1888). Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, para a obtenção do título de Mestre em História Econômica.

[18] Dados extraídos da página eletrônica acessada em 10 de junho de 2013:

http://www.holtzgen.com/individual.php?pid=I660&ged=bernadete.ged

[19] Jornal “O Sorocabano” nº 18, de 12 de junho de 1870, à pg. 1.

[21] Dados extraídos da página eletrônica acessada em 4 de julho de 2013:

http://books.google.com.br/books/about/Cepa_esquecida.html?hl=pt-BR&id=wUwsAAAAYAAJ

[22] Dados extraídos da página eletrônica acessada em 4 de julho de 2013:

http://books.google.com.br/books?id=HEZlAAAAMAAJ&q=Manoella+Ang%C3%A9lica+de+Cerqueira+C%C3%A9sar&dq=Manoella+Ang%C3%A9lica+de+Cerqueira+C%C3%A9sar&hl=pt-BR&sa=X&ei=RsjVUfH-Gobo8QSPzICYDQ&ved=0CDoQ6AEwAg

 

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